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Irã ameaça suspender importações se Petrobras não abastecer cargueiros

Embaixador da República Islâmica disse ter comunicado autoridades de que o país pode procurar novos fornecedores de produtos agrícolas

O Irã ameaçou cortar as importações do Brasil se a estatal Petrobras não reabastecer os dois cargueiros da República Islâmica que estão parados há semanas no Paraná por falta de combustível em consequência de sanções impostas pelos Estados Unidos.

Em entrevista à agência Bloomberg, o embaixador do Irã em Brasília, Seyed Ali Saghaeyan, disse que entrou em contato com as autoridades brasileiras nessa terça-feira (23/07/2019) para informar que o país pode procurar novos parceiros para comprar milho, soja e carne se as autoridades brasileiras não resolverem a situação.

No primeiro semestre de 2019, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o Brasil importou US$ 26 milhões em produtos iranianos. A alta na comparação com o mesmo período de 2018 é de 800%. A ureia, um fertilizante, corresponde a 96% desse valor.

Em troca, o Brasil exportou US$ 1,3 bilhão para o Irã no primeiro semestre deste ano, uma alta de 23,85% na comparação com o mesmo período do ano passado. O principal produto da relação é o milho, responsável por 36% das vendas. A soja vem em seguida com 34%.

Além disso, o embaixador confirmou que o país considera enviar combustível para os dois navios, mas essa seria uma opção demorada e cara, segundo Saghaeyan. “Países grandes e independentes como Brasil e Irã devem trabalhar juntos sem interferência de terceiros ou de outro país”, finalizou o diplomata.
Ainda de acordo com a Bloomberg, Saghaeyan pediu uma reunião com o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, mas ainda não obteve resposta.

Crise entre Brasília e Teerã

Dois navios de bandeira iraniana, o MV Bavand e o MV Termeh, estão parados desde o início de junho no Porto de Paranaguá, no Paraná. Os cargueiros trouxeram ureia e voltariam carregados de milho, mas a Petrobras teme punições americanas e se recusa a abastecer as embarcações, que estão na lista negra do Departamento do Tesouro dos EUA.

Metrópoles, 24/07/2019