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Brasil pode exportar urânio por uma minas do nordeste

A estatal INB formou um consórcio com a empresa de fertilizantes Galvani para o projeto de fosfato-urânio Santa Quitéria, no CearáUm projeto de mineração visto como prioritário pelo governo brasileiro pode transformar o país em exportador de urânio e reduzir suas necessidades de importação de fertilizantes. 

O país, que atualmente importa urânio para suas usinas nucleares e importa a maior parte de suas necessidades de fertilizantes, pode se tornar mais autossuficiente com um projeto de 400 milhões de dólares na região Nordeste, de acordo com o consórcio formado para explorar a jazida. 

A estatal INB, que detém o monopólio da produção de urânio no Brasil, formou um consórcio com a empresa local de fertilizantes Galvani para o projeto de fosfato-urânio Santa Quitéria. O Brasil produzirá cerca de 2.400 toneladas de concentrado de minério de urânio por ano quando Santa Quitéria atingir sua capacidade total em 2026. 

Inicialmente, o urânio de Santa Quitéria deve ir para as usinas nucleares da INB, embora a empresa esteja em conversas com o governo para vender o excedente no exterior, disse Freire. Santa Quitéria foi incluído no Programa de Parceria para Investimentos do governo, conhecido como PPI, para projetos considerados prioritários. Trazer mais parceiros, incluindo consumidores de fertilizantes, está sendo considerado para financiar o investimento, enquanto a família que controla a Galvani ficaria com a participação majoritária. 

A produção de fertilizantes fosfatados do projeto é estimada em 750.000 toneladas por ano em 2026, o que equivale a cerca de 20% das importações brasileiras de fertilizantes fosfatados no ano passado. O país – maior exportador de soja, café e açúcar – produz apenas 30% do seu consumo de fertilizantes fosfatados. 

O projeto Santa Quitéria, localizado no estado do Ceará, atenderia à demanda crescente de fertilizantes na nova fronteira agrícola do Brasil, o Matopiba. O consórcio busca aproveitar as viagens de retorno dos portos às fazendas para transportar o fertilizante. 

O projeto prevê ainda a produção de 270 mil toneladas de fosfato bicálcico, que é utilizado como suplemento alimentar para o gado. Esse volume representa cerca de 20% do consumo atual do país, que deve crescer 78% até 2026, segundo o Sindirações, grupo que representa a indústria de ração animal. 

O consumo de fosfato bicálcico no Brasil deve crescer de 3,5% a 4,5% ao ano nos próximos 15 anos, enquanto a demanda por fertilizantes deve aumentar de 3% a 4%, disse Neves. “O Brasil continuará crescendo como uma superpotência agrícola, e a necessidade de fosfato acompanhará isso”, disse ele. 

Exame, 17/11/2020 

Fonte da Imagem: Freepik