Mercado

Vendas de defensivos e fertilizantes sobem 10%

O setor de defensivos e fertilizantes não tem do que reclamar de 2011. Levantamento do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag) mostrou expansão de 15% nas vendas de outubro passado (últimos dados compilados), em relação a igual mês de 2010. O faturamento atingiu R$ 1,919 bilhão em outubro. Com os números de outubro, as vendas das empresas do setor nos dez primeiros meses de 2011 subiram 10% em relação a igual período de 2010, atingindo R$ 10,199 bilhões.
Estes números levam o mercado a viver um momento histórico. De janeiro a outubro de 2011 as entregas totalizaram 23,896 mi-lhões de toneladas, 19,1% a mais do que em igual período do ano anterior. Se a expansão registrada nos dez primeiros meses tiver se mantido em novembro e dezembro, o mercado deve ter fechado 2011 com 29,394 milhões de toneladas vendidas, acima das 24,516 mi-lhões de toneladas do ano passado O mercado ganhará reforços em 2012. A multinacional Syngenta anunciou que entrará no segmento de nutrição vegetal.

Gefoscal. O diretor da empresa de fertilizantes Gefoscal, Pierre Barreto, é um dos que só têm a comemorar. “O ano de 2011 foi muito bom, em que todos na empresa estiveram envolvidos em conquistar mercado. Na agricultura, os produtores passaram a ter consciência de que precisam investir em tecnologia para ganhar em participação. Isso foi fundamental”, disse, lembrando que quando se fala em tecnologia abrange-se a fertilização do solo.
No início de junho, durante a Bahia Farm Show, Pierre Barreto havia anunciado que a Gefoscal esperava crescer 100% em 2011. “O objetivo é pular das 55 mil toneladas de fertilizantes vendidas em 2010 para 200 mil toneladas em 2012”, disse Barreto, na ocasião. Este objetivo, ainda que sem ser confirmado pelo empresário porque faltavam contabilizar as vendas deste final de ano, parece ter sido atingido.
Pierre Barreto disse que nos sete anos de existência da empresa, nem mesmo quando houve problemas no setor as vendas da Gefoscal diminuíram. “Quando o mercado teve problemas, a empresa registrou estabilidade. Estamos indo de vento em popa”, disse o diretor da Gefoscal.
Com larga experiência no mercado – foi vendedor de fertilizantes até que resolveu montar sua própria empresa, apostando no sistema de rochagem -, Pierre Barreto entende que a votação definitiva do Código Florestal pela Câmara dos Deputados, em 2012, é um dos pontos decisivos para determinar a expansão do mercado. “Não é que o mercado vá parar, mas em função do que for decidido pelos congressistas, os agricultores devem rever estratégias e isso implica maior ou menor crescimento da demanda por fertilizantes”, disse.
Para 2012, a Pierre Barreto espera novamente dobrar as vendas da Gefoscal, sem temer qualquer efeito da crise na Europa sobre o mercado brasileiro.

Agropollo. Cautela é a palavra que vai prevalecer em 2012 para os agricultores, no entender do diretor da Agropollo Comercial Agrícola, Fabrício Gava. Com sede em Posse, no Estado de Goiás, a Agropollo atende a região que engloba os municípios de São Desidério, Correntina, Cocos e Jacobina.
“Por enquanto, há muita coisa ainda por acontecer nas lavouras para se definir como ficará o mercado de defensivos e fertilizantes em 2012”, disse Fabrício Gava.
A seu ver, somente no final desta primeira quinzena de janeiro deverá ser definido o tamanho do mercado a ser gerado pela lavoura de milho. “Soja deve ter definição a partir de fevereiro. Somente lá para o final de março ou abril é que teremos noção do mercado gerado pelo algodão”, disse, sempre falando mercado em relação à quantidade das vendas de defensivos e fertilizantes.
Fabrício Gava lembra que 2011 foi um ano bom para a venda de defensivos e fertilizantes – mais para os primeiros – em razão do que houve em 2010. “Toda comparação usa o ano anterior como padrão. Por isso essa história de dizer que 2011 foi muito bom é relativa. Tivemos alguns problemas no meio de 2010 como, por exemplo, com a safra de algodão”, disse. Fabrício Gava estima em 15% o crescimento geral das vendas em 2011.
A expansão do mercado, no seu entendimento, deveu-se ao crescimento da área de plantio, notadamente de algodão (51,4% a mais do que na safra 2009/2010) o que aumentou a procura por defensivos e fertilizantes.
Fabrício Gava destacou que os produtores rurais do Oeste da Bahia perderam a mania de economizar com novas tecnologias, que aumentam a rentabilidade. “Isso era cultu-ral. Onde nós estamos isso não existe mais. Já se investe em tecnologia porque se sabe que é compensador”, disse.

Lavrobrás. A Lavrobrás, segundo o vendedor André Lucas, não tem do que se queixar de 2011. “Foi um ano de estabilização, com as vendas mantendo-se nos níveis de 2010”, disse. André Lucas estima que 2012 deva ser um ano melhor, com chances de aumentarem as vendas.

Diário do Oeste, 13/01/2012