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Vale rebate visão de queda nos investimentos

O presidente da Vale, Murilo Ferreira, rebateu hoje a visão de que os investimentos da mineradora estão em queda. Hoje, a companhia anunciou o plano de investimentos de US$ 21,4 bilhões para 2012, uma queda frente ao montante previsto inicialmente para 2011, que era de US$ 24 bilhões.
A diferença, segundo Ferreira, está na decisão da empresa de só colocar na lista de projetos previstos aqueles já aprovados pelo conselho de administração e que, além disso, tenham ao menos a licença prévia ambiental.
Apesar do volume de US$ 24 bilhões previsto para este ano, a Vale deverá fechar o ano com US$ 19 bilhões, o que segundo Ferreira acontece principalmente por conta de contratempos na obtenção de licenciamento ambiental.
“”Ano passado tinha um grande número de incertezas e essas incertezas não se transformaram em certezas””, frisou Ferreira, que participou, na Bolsa de Nova York, do Vale Day.
O executivo lembrou ainda que o patamar de investimentos feitos vem subindo, passando de US$ 9 bilhões em 2009 para US$ 13 bilhões em 2010, US$ 19 bilhões em 2011 e US$ 21,4 bilhões previstos para 2011.
Entre os principais projetos previstos para 2012 estão o início da expansão de Moatize, que dobrará a capacidade de produção para 22 milhões de toneladas anuais de carvão, além a revitalização de uma ferrovia e a construção de um novo porto, em Nacala; e o desenvolvimento do projeto de Serra Sul, o S11D, que produzirá 90 milhões de toneladas anuais de minério de ferro a um custo de US$ 8,1 bilhões, dos quais US$ 794 milhões serão aportados no ano que vem.
Além disso, o projeto no Pará inclui uma solução logística, com revitalização da ferrovia e do terminal marítimo no Maranhão ao custo de US$ 11,4 bilhões, dos quais US$ 321 milhões serão desembolsados no ano que vem. A mina deverá ficar pronta no segundo semestre de 2016 enquanto a logística estará finalizada no primeiro semestre de 2017.
O diretor de finanças da Vale, Tito Martins, ressaltou ainda os investimentos na duplicação de Salobo, adicionando 100 mil toneladas de cobre contido à produção da empresa; na refinaria de Long Harbour, no Canadá, que produzirá 50 mil toneladas anuais de níquel contido; e no projeto de fertilizantes Rio Colorado, que engloba a produção de 4,3 milhões de toneladas de potássio, além da ferrovia para escoamento.
Martins frisou que o foco da empresa é o crescimento orgânico, mas não descartou aquisições no caso de “boas oportunidades”. “Desde que acreditemos que se encaixam no nosso portfólio e na nossa intenção de crescimento”, acrescentou.
“Hoje não é fácil ir ao mercado e fazer uma aquisição, como fizemos com a Inco, por exemplo”, frisou Murilo Ferreira, destacando a “prioridade” no crescimento orgânico. “Temos disciplina muito grande na alocação de capital”, disse.
Questionados sobre as condições de mercado, os executivos da empresa evitaram fazer prognósticos de preço do minério de ferro para 2012. O diretor de minério de ferro e estratégia, José Carlos Martins, ponderou que não vê o preço abaixo de US$ 120, “”que é custo de produção dos menos eficientes”” e previu um crescimento entre 5% a 7% na produção chinesa de aço no ano que vem.

Valor Econômico, 28/11/2011