Mercado

Plano multifocal

Com uma população de pouco mais de dois milhões de habitantes, 30% dos quais no campo, o Estado de Sergipe passa por um momento especial de inclusão social. Nos últimos 12 meses, por exemplo, foram criados 22.253 empregos formais em Sergipe, crescimento inferior apenas ao dos Estados do Amazonas e do Amapá. Não só: num caso raro entre os Estados brasileiros, mais de 50% dos empregos gerados no período de 2007 a 2010, algo em torno de 50,2 mil, ocorreram no interior, resultado de um processo intenso e diversificado de investimentos de empresas industriais e agrícolas, estimuladas por uma generosa política de incentivos fiscais. Apenas em 2011, 14 novas empresas iniciaram as atividades no Estado, com investimentos de mais de R$ 40 milhões e geração de 1.322 empregos diretos.
Segundo dados do IBGE, entre 2002 e 2008, a renda do Estado aumentou de forma acelerada, chegando a um PIB per capita de R$ 9.781. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de acordo com levantamento do Banco Central, considerando o período até 2007, atingiu 0,77, o mais alto do Nordeste, e vem se aproximando rapidamente do IDH brasileiro, que chegou a 0,816.
Esse cenário de crescimento de regiões pobres do Estado, com a consequente inserção de parcelas consideráveis da população ao mercado de trabalho, reflete o forte impacto de grandes investimentos nos últimos cinco anos. A administração estadual trabalhou para atrair o interesse de investidores privados em projetos de desenvolvimento econômico e social, avalia o governador Marcelo Déda (PT). Até o fim de seu segundo mandato, em 2014, o programa de investimentos do governo sergipano prevê aplicação de recursos da ordem de R$ 1,5 bilhão, que deverão gerar de 12 mil empregos diretos.
Boa parte desse dinheiro está sendo utilizada para assegurar infraestrutura de logística de transporte, em obras de mobilidade urbana, saneamento e melhorias do aeroporto de Aracaju. Entre janeiro de 2007 e agosto de 2011, os investimentos na malha rodoviária estadual somaram R$ 421 milhões. Na área de saúde, o governo pretende desembolsar R$ 300 milhões num projeto de reestruturação do setor, baseado em novos conceitos de interiorização de serviços básicos para a população, que inclui a construção de hospitais, ampliação de leitos para UITI e implantação de mais de 100 clínicas de saúde da família em todos os municípios.
Do lado do empresariado, a adesão ao movimento de expansão econômica no Estado é praticamente total, indica Rodrigo Rocha, coordenador do Núcleo de Informações Econômicas (NIE) da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (Fies). “”O setor privado não só aposta na diversificação da economia, como também estimula a criação e a vinda de novas empresas que busquem diversificar o parque industrial””, afirma. Segundo Rocha, os maiores investimentos vão se concentrar no setor de extração mineral, que contribui com cerca de 40% do PIB estadual (R$ 19,5 bilhões em 2008, segundo o IBGE).
Com a descoberta de nova mina de potássio, extraído a partir da carnalita, a Vale pretende investir US$ 4 bilhões na ampliação da produção, das atuais 700 mil toneladas para 2,4 milhões de toneladas. Trata-se de um dos maiores investimentos já aportados em Sergipe. “”Hoje, 90% do potássio consumido vem de fora do país””, observa o economista.
Outro investimento de grande importância será no setor de petróleo e gás. Isso, a partir da conclusão do plano de avaliação e a confirmação de extensa quantidade de óleo encontrado em águas ultra profundas, na Bacia Sergipe-Alagoas, local que concentra a presença de óleo leve com qualidade superior ao encontrado até o momento na área do pré-sal. A Petrobrás programa investir no Estado US$ 3,87 bilhões até 2014, montante que pode atingir US$ 4 bilhões com os investimentos adicionais de parceiros e fornecedores da estatal.
A maior parte desses recursos, quase 90% do total, será destinada à exploração e produção de petróleo, enquanto a expansão da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), instalada no município de Laranjeiras, que produz amônia, ureia, ácido nítrico a partir do gás natural extraído das plataformas oceânicas, deve consumir US$ 462 milhões. A perspectiva é de geração de três mil novos empregos.
A retomada dos investimentos em ciência e tecnologia e na modernização das empresas tem sido um fator importante para ingressos futuros de novos contingentes da população ao mercado de trabalho. Sergipe está erguendo seu parque tecnológico, com investimentos de R$ 30 milhões, com previsão de reunir mais de 120 empresas e criação de laboratórios, que vão desenvolver novas tecnologias de produção, além de centros educacionais para formação de mão de obra para os diversos segmentos industriais e agrícolas atualmente em expansão.

Valor Econômico, 28/11/2011