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PIB do agronegócio nacional deve crescer 7,6% este ano

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do setor agropecuário pode chegar a 7,6%, segundo uma fonte do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A estimativa supera a projeção anunciada nesta semana pela presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), Kátia Abreu – que espera alta de 6,2%. As previsões são no mínimo o dobro do que se estima para o PIB de toda a economia brasileira (algo entre 2,9% e 3,1%). “Embora o agronegócio tenha se desacelerado no segundo semestre, o cenário ainda é de alta”, disse a pesquisadora Adriana Ferreira Silva, da área de Macroeconomia do Cepea. Segundo ela, a agricultura e a pecuária praticamente dividem o resultado esperado, mas com ressalvas.
“Com a redução das exportações, há uma parcela [dos produtos agrícolas] revertida para o mercado interno, o que derruba os preços”, analisou Adriana. Por outro lado, os produtos pecuários foram valorizados, acelerando o ritmo econômico que, no fim, resulta no PIB. “”O preço [das carnes] ainda está muito aquecido.”
Já a CNA atribuiu à pecuária, cujo PIB deve crescer 6,7%, alcançando R$ 247,9 bilhões, a maior responsabilidade pela expansão da riqueza do setor neste ano. A estimativa para o PIB agrícola é de R$ 575 bilhões, valor 5,6% superior ao registrado em 2010.
O resultado deste ano representa alta sobre alta, pois houve crescimento em torno de 6,5% do PIB no ano passado, que havia sido um ano de recuperação para as perdas de 2009, quando a economia agropecuária se tinha retraído cerca de 5%.

Pressão na base
Adriana, do Cepea, destacou que a escalada de preço dos insumos e a perda de mercados externos, em função da crise europeia, afetam a produção agropecuária nacional e, mesmo com o resultado anual esperado para o setor, pressionam a base produtiva. “Apesar do PIB, a renda dos produtores fica comprometida”, afirmou.
Para explicar, a pesquisadora citou como exemplo o caso do milho: 43% mais cara neste ano, a commodity faz com que as rações para animais também fiquem mais caras, o que se reflete no preço da carne ao consumidor final. Toda cadeia produtiva é afetada, mas “quem mais sofre é o produtor rural, que tem menor poder de negociação”.
Outro exemplo, ainda mais significativo, é o dos agroquímicos: geralmente importados, também encareceram ao longo do ano – “mas os preços aquecidos fizeram com que o produtor pagasse caro pelos fertilizantes”, segundo Adriana. Mas ela também pontuou: “Na próxima safra, o produtor deverá se sentir menos estimulado a comprar fertilizantes, o que afetará a produção”.
Em seu discurso de posse, na manhã de ontem, a presidente reeleita da CNA, Kátia Abreu, abordou o assunto e alertou para o risco de alguns segmentos produtivos perderem renda.
“A agropecuária brasileira é rica, mas a maioria dos produtores não é. Problemas de renda podem desarticular as estruturas produtivas e afetar nossa capacidade de produção no longo prazo.”
“Muitos segmentos não conseguiram se capitalizar adequadamente e são muito vulneráveis. Uma das nossas tarefas é monitorar a economia da nossa produção para prever as dificuldades e remediar os problemas”, acrescentou a representante.

PIB do Sul
O “desempenho excepcional da agropecuária” estimulou o crescimento previsto de 5% no PIB do estado gaúcho, de acordo com o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Heitor Müller. A entidade, no entanto, após um ano bom para o agronegócio local, prevê que a safra será menor em 2012, o que deve afetar a renda em vários municípios da região.
“A agropecuária vem carregando o Brasil nas costas”, afirmou Müller, que acredita: “O impacto do setor agrário no Rio Grande do Sul é muito mais forte do que no resto do Brasil”. No ano que vem, com safra possivelmente menor, o crescimento do PIB do estado deve desacelerar. A Fiergs estima, na hipótese otimista, que será de até 3,3%. Em um cenário moderado, a previsão é de que o Rio Grande do Sul cresça 2,1%. Com azar, o PIB gaúcho pode recuar 0,4%.

DCI , 15/12/2011