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IAC tem laboratório credenciado para realizar Análises Físico-Químicas de Fertilizantes

O Laboratório de Análise de Fertilizantes e Resíduos, do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, passa a fazer parte dos laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para realizar Análises Físico-Químicas de Fertilizantes, Corretivos, Substratos e afins. O credenciamento foi obtido em 14 de dezembro de 2011. Além do IAC, apenas outro laboratório no País possui esse credenciamento, que habilita o Instituto a disputar licitações de análises para o Ministério.
As reformas implantadas desde 2006 foram essenciais para obtenção do credenciamento. Além, das melhorias estruturais foram realizadas auditorias do MAPA, em junho de 2011, padronização da documentação de acordo com a ISO e a recomendação do controle de qualidade para que o IAC participe do ensaio de proficiência em fertilizantes da Rede Nacional de Laboratórios Agropecuários (Lanagro), em que o IAC já participa como convidado há dois anos e meio. Após a visita inicial de credenciamento, outra Instrução Normativa do MAPA determina que os novos credenciados terão que ser acreditados no Inmetro para realizar essas análises. Dessa forma, o IAC terá 36 meses, a contar de agosto de 2011 para obter acreditação no Inmetro para as análises credenciadas pelo MAPA.
As benfeitorias procuraram atender à ISO/17025. As melhorias na estrutura do sistema de qualidade resultaram em economia de água e de energia elétrica em torno de 90%. Os destiladores foram substituídos por purificadores com base em membranas. Os aparelhos antigos gastavam 15 litros de água para produzir um litro de água purificada, enquanto o sistema de membranas gasta apenas 2 litros, que são reaproveitados na descarga dos banheiros, graças à reforma no prédio. O treinamento dos técnicos envolvidos foi complementado nos laboratório da rede Lanagro por meio de recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), lançado em conjunto com o MAPA.
“Se confirmarmos que a garantia declarada pelos produtos não está em conformidade com o MAPA, os informaremos e estes realizarão a perícia da amostra, que pode acarretar em punições para o produtor, ou seja, essas análises são de fiscalização de fertilizantes, em apoio à rede oficial de fiscalização do MAPA já existente e que está sobrecarregada”, diz Aline Renée Coscione Gomes, pesquisadora do IAC.
Ela afirma que no momento o Instituto realiza 90% das análises do escopo do Ministério. A expectativa é que, em médio prazo, o IAC execute todas as análises existentes no Manual de Métodos Oficiais do MAPA e também aquelas que constam em instruções normativas do MAPA, com status de fiscalização. As descrições das análises estão disponíveis no site (www.agricultura.gov.br). No total são onze páginas dos serviços realizados.
O IAC realizou 3351 análises até o mês de novembro de 2011, sendo que 640 foram em fertilizantes minerais e orgânicos. Essas análises foram realizadas para produtos e consumidores que procuraram o laboratório. A pesquisadora acredita que ao atender o MAPA, a comunidade passará a procurar mais o laboratório.

Histórico
O Instituto Agronômico sempre prezou pela qualidade, por isso desenvolveu o Programa de Proficiência IAC para Laboratórios de Análise de Solo para fins agrícolas, que reúne, desde 1994, laboratórios paulistas, onze representantes de outros Estados, além de um uruguaio e um costarriquenho.
O método de análise de solos desenvolvido pelo IAC é centrado no Estado de São Paulo, mas por ser direcionado a solos tropicais — com altos teores de óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio — atende também a outras Unidades da Federação. A maior parte dos laboratórios participantes do Programa do IAC é privada.
Segundo o pesquisador do IAC e coordenador do Programa, Heitor Cantarella, duas décadas atrás, a análise de solos era atividade dominada por laboratórios públicos, mas hoje isso mudou. O mercado começou a surgir com o aumento da demanda, resultante do conhecimento dos agricultores acerca da relevância do diagnóstico do solo com bases técnicas.
A nova realidade direcionou as unidades na busca pela qualificação e diversificação dos serviços prestados. Ao longo dos anos, dentre os participantes do Programa do IAC, observa-se a melhoria no desempenho dos avaliados e o número crescente de laboratórios que oferecem gama mais variada de serviços.
O Programa de Laboratório do IAC é listado como provedor de Ensaio de Proficiência no INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e no EPTIS – The International Proficiency Testing Information System, Berlin, Alemanha (www.eptis.bam.de).
Cada participante do Programa recebe 20 amostras que devem ser analisadas durante o ano. O Programa avalia se os procedimentos estão de acordo com o método recomendado e aponta a necessidade de adequações. Os procedimentos estatísticos utilizados pelo IAC já estão consolidados e foram descritos em publicação internacional. O pesquisador ressalta que se o laboratório apresentar dificuldade para chegar ao resultado esperado, é possível enviar um profissional para treinamento prático no IAC, sem custos.
Paralelamente às amostras de solo, o IAC oferece, desde 2007, também amostras de condicionadores de solo, substratos para plantas, fertilizantes orgânicos e orgaminerais e lodo de esgoto. São distribuídas 12 amostras por ano, a serem analisadas pelos métodos existentes no Manual de Métodos Oficiais do MAPA e pelo método US-EPA 3051, da Agência Ambiental Americana, em que o laboratório de fertilizantes está acreditado no Inmetro, o método consiste em análise de 23 elementos em amostras de resíduos sólidos. “Com o credenciamento do IAC junto ao MAPA para realização das análises fiscais em fertilizantes e afins, esperamos que a participação das empresas nesse segmento do Ensaio de Proficiência do IAC passe a ser mais efetiva do que o tem sido até agora”, diz a pesquisadora, do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Outros dois laboratórios do Centro de Solos do IAC já são acreditados
Além do Laboratório de Análise de Fertilizantes e Resíduos do IAC, outros dois laboratórios do Centro de Solos — o de Física do Solo e o de Fertilidade do Solo — já são acreditados pelo Inmetro, na ISO17025, norma que assegura a qualidade das análises laboratoriais e é reconhecida pela comunidade internacional, em outras análises, desde 2010. As análises acreditadas no Inmetro são a granulometria de solo para fins agrícolas (métodos do densímetro e da pipeta) no laboratório de Física do Solo, o método de extração de nutrientes Ácido Dietileno Triamino Pentacético (DTPA) para determinação de micronutrientes em amostras de solo no Laboratório de Fertilidade e método US-EPA 3051 no laboratório de Fertilizantes e
Resíduos.

Por que conhecer o solo
Os fertilizantes respondem por cerca de 30% dos custos de produção agrícola. Conhecer o tipo a ser aplicado e a quantidade necessária é decisão importante por ter relação direta com a produtividade da lavoura. “Se não houver análise de solo, esta decisão não é feita em bases técnicas”, diz o pesquisador.
O correto diagnóstico é a base para orientar o uso adequado de fertilizantes, evitando desperdícios e reduzindo impactos ambientais por excessos. Ao otimizar a produtividade, amplia-se o lucro do produtor, já que o investimento é mais direcionado. Segundo Cantarella, a maior parte dos insumos agrícolas (pesticidas e herbicidas) é usada para proteção das plantas, contra pragas e doenças. Porém, ele ressalta que esses produtos não são fatores de aumento de produtividade — eles apenas protegem as plantas para manter a produtividade — enquanto que os fertilizantes podem elevar a produtividade, pois são constituintes da própria planta.
O pesquisador explica que 5% da matéria seca dos vegetais são compostos por nutrientes minerais — essenciais às plantas e sem substitutos. Por isso é necessário garantir esses elementos. Segundo Cantarella, caso haja desequilíbrio nutricional, a produtividade será afetada. Nesse aspecto, a correta nutrição das plantas é fundamental. “Se o agricultor fizer adubação e calagem baseada em bom diagnóstico da situação específica do solo, aumentam as chances do retorno financeiro”, diz.
Cantarella comenta que os investimentos feitos em fertilizantes são muito altos, quando comparados com o custo da análise de solo. Este varia de R$ 17,00 a R$ 25,00 para análises básicas e de R$ 30,00 a R$ 35,00 para análises completas.

IAC, 06/01/2012