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Complexo em Uberaba demandará US$ 300 mi

O projeto de construção de uma cimenteira em Uberaba, no Triângulo Mineiro, transformou-se em um verdadeiro complexo químico-cimenteiro e deve demandar aportes da ordem de US$ 300 milhões. O empreendimento está sendo negociado entre o governo de Minas, a Vale Fertilizantes S/A, a chinesa Sinoma International Engineering e um grupo nacional cujo nome ainda não foi revelado .
Os recursos, segundo uma fonte ligada às negociações, que preferiu não se identificar, seriam aplicados na construção de duas plantas. Uma delas seria destinada à produção de cimento e demandaria aporte de US$ 145 milhões. A outra produziria ácido sulfúrico e custaria US$ 150 milhões. O complexo industrial teria capacidade instalada para produzir 360 mil toneladas anuais de cada insumo.
A fonte explica que a produção do cimento seria viabilizada a partir das cerca de 50 milhões de toneladas de gesso acumuladas durante os 30 anos de operação da unidade da Vale Fertilizantes (antiga Fosfertil), nas quais estima-se que há 10 milhões de toneladas de enxofre, utilizados para produzir ácido sulfúrico, por sua vez, matéria-prima de fertilizantes.
“O grupo nacional está empenhado em levantar o empreendimento e já enviou à Sinoma uma amostra do gesso para avaliação. A empresa chinesa tem a tecnologia para a produção do cimento a partir do gesso, separando o enxofre no processo.” Um projeto pioneiro e os estudos de viabilidade técnica e econômica são demorados”, afirma.
Neste caso, a Vale Fertilizantes seria fornecedora da matéria-prima (gesso) para a produção do cimento e demandante do enxofre, que ela mesma usaria para a produção do ácido sulfúrico e, depois, na sua planta própria no município, para produzir fertilizantes. A empresa nega que esteja participando da negociação, mas admite que há negociações na cidade para a construção de uma cimenteira.
Por outro lado, a própria secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Dorothea Werneck, já havia confirmado ao DIÁRIO DO COMÉRCIO que a Vale Fertilizantes está desenvolvendo estudos de viabilidade técnica e econômica para a construção de uma cimenteira no município, que utilizará gesso como matéria-prima.
Embora o nome do grupo nacional não tenha sido revelado, a fonte informa que trata-se de uma grande empresa nacional do setor de construção civil. O projeto seria viabilizado, segundo ela, através de uma parceria, o que poderia ocorrer com a formação de uma joint venture com os chineses, detentores da tecnologia de produção.
O empreendimento possibilitaria também a substituição de parte significativa das cerca de 45 mil toneladas mensais de enxofre importadas pela Vale Fertilizantes. “Isso é outro ponto importante neste projeto em nível nacional porque o Brasil importa grande quantidade do insumo”, destaca a fonte.

Diário do Comércio, 14/12/2011