Logística

Mais graneleiros iranianos encalhados no Brasil já que a Petrobras se recusa a reabastecê-los

Mais dois graneleiros iranianos que vieram para o Brasil carregando ureia e deviam voltar para casa com o milho poderiam ficar sem combustível suficiente, já que a Petrobras se nega a fornecer combustível para os bunkers devido às sanções dos Estados Unidos.

Dados de rastreamento de navios mostram que as embarcações do tipo Panamax MV Delruba e Ganj, atualmente localizadas perto do porto de Imbituba, no sul do Brasil, devem operar na mesma rota de outros dois navios iranianos, Bavand e Termeh, cujos problemas de reabastecimento foram reportados na quinta-feira.

Todos os quatro navios são de propriedade do governo iraniano e estão incluídos nas sanções impostas pelo governo dos EUA. A Petrobras, se recusou a vender o combustível de navios, citando as sanções. Se as vendas fossem para a frente, a Petrobras poderia sofrer penalidades devido às suas operações nos EUA, disse a empresa.

Os quatro navios e um quinto, o Daryabar, que conseguiu sair do Brasil carregado de milho, fazem parte de uma nova rota comercial aberta pelo governo iraniano, que busca novos mercados para seus petroquímicos para compensar a perda de vendas de petróleo.

“O governo iraniano está claramente se arriscando”, disse uma fonte do setor de transporte marítimo. “Eles enviaram todos os navios para cá sem saber se eles seriam capazes de reabastecer e voltar.”
Apesar das declarações da Petrobras dizendo que outras empresas poderiam vender o combustível para as embarcações, a fonte da indústria disse que a estatal tem um monopólio efetivo sobre os serviços de reabastecimento nos portos brasileiros.

Daryabar também trouxera ureia para o Brasil. Não está claro como o navio conseguiu combustível para navegar. De acordo com a ferramenta de rastreamento de navios Eikon da Refinitiv, a embarcação está agora perto da África do Sul. A Petrobras reafirmou sua postura na sexta-feira.

“O risco envolvido em contratos com embarcações sancionadas é de responsabilidade da empresa exportadora, não da Petrobras”, afirmou.

A Friendship, a agência de navegação que ajuda os navios iranianos no Brasil, se recusou a fornecer informações sobre a situação do combustível enfrentado por MV Delruba e Ganj. Ele disse que não foi autorizado pelo armador, a empresa estatal iraniana Sapid Shipping Co., a comentar.

O Petróleo, 22/07/2019