Culturas

Safra de pastos é de 4,9 bilhões de toneladas 

A produção anual de matéria orgânica dos pastos brasileiros é de aproximadamente 4,9 bilhões de toneladas, segundo os dados do Rally da Pecuária 2011, divulgados nessa terça-feira (29). O Rally foi uma expedição técnica organizada pelas consultorias Bigma e Agroconsult que colheu amostras nas principais regiões de pecuária de corte do País. As amostragens abarcaram 1,3 milhão de cabeças, em um rebanho de corte nacional de cerca de 180 milhões.
Com base em análises de campo e questionários com pecuaristas, o Rally identificou que a produtividade da pecuária é superior ao que se imaginava anteriormente. A produção de matéria seca nos pastos foi estimada em 2,1 bilhões de toneladas, 17% acima do que as consultorias estimavam antes de ir a campo. “Esse número nos surpreendeu, mas confirmou que o pasto é, de longe, a maior safra do País, e precisa ser tratado como uma cultura agrícola”, diz Maurício Palma Nogueira, da Bigma Consultoria.
A maior média de oferta de pasto por hectare foi encontrada no Pará, com 19,5 toneladas de matéria seca por hectare. No Mato Grosso (18,9) e no Tocantins (18,5) a produtividade de pasto também ficou bem acima da média nacional de 13,8 toneladas por hectare. A média mais baixa foi constatada em Minas Gerais, com 9,7 toneladas por hectare.
O Rally também mostrou uma surpreendente adoção de tecnologia pelos pecuaristas. Segundo os questionários, 55% dos produtores revelaram fazer fertilização de seus pastos, embora a maior parte deles o faça abaixo das recomendações agronômicas. “Esperávamos encontrar apenas 15% dos pecuaristas usando fertilizantes, mas muitos estão sendo forçados a adotar adubos e defensivos agrícolas por causa da infestação com pragas e doenças, que os obrigam a produzir mais pasto”, avalia Nogueira.
Os consultores reconhecem que a amostragem do Rally foi feita com produtores acima da média nacional, mas ainda assim ressaltaram o alto número de animais por hectare que encontraram. A média das amostras foi de 1,6 cabeça por hectare, ante uma média nacional de 1,22 cabeça.
Um dos dados mais importantes do Rally, no entanto, é o que aponta a baixa necessidade de reforma completa das pastagens. Entre os pastos produtivos encontrados durante o rally, 70% apresentaram stand (quantidade de pés de capim por metro) adequado, ainda que vários estivessem com baixa produtividade.
“Isso quer dizer que na maior parte dos casos não é preciso reformar as pastagens, e basta recuperá-las a um custo menor”, diz Nogueira. A reforma é o revolvimento e o replantio do pasto, enquanto a recuperação apenas corrige itens como a fertilidade do solo e doenças. Nos questionários, 75% dos pecuaristas afirmaram que precisam reformar parte de seus pastos.

Confinamentos crescem
À medida que adotam mais tecnologia no pasto, os pecuaristas também são levados a fazer a engorda final (terminação) do gado em sistema de confinamento. Entre os produtores ouvidos no Rally, 78 fazem o confinamento para terminação. Somados, eles aumentaram o número de cabeças confinadas em 23,8% sobre 2010, totalizando 413 mil cabeças em 2011.
No Brasil, a estimativa de Bigma e Agroconsult é que tenham sido confinados entre 3,5 milhões e 3,8 milhões de cabeças neste ano. “O Rally apontou uma intenção de ampliar o confinamento em 18% em 2012, de forma que devemos superar as 4 milhões de cabeças confinadas no ano que vem”, estima Nogueira.
Além de os preços da arroba estarem remuneradores, o preço da ração deve estimular o confinamento em 2012. “Hoje, tudo indica para uma safra de milho excepcional, com oferta ampla e preços mais baixos que neste ano”, explica o sócio-diretor da Agroconsult, André Pessôa.

Sou Agro, 01/12/2011