Entrevistas

Roberto Suguihara, Diretor Administrativo e Financeiro do Grupo Katayama, fala sobre o mercado de fertilizantes orgânicos

Na entrevista de hoje recebemos Roberto Suguihara, diretor Administrativo e Financeiro do Grupo Katayama que abordou a nova produção de fertilizantes orgânicos da companhia e os impactos que pretendem atingir no mercado brasileiro, junto a sua perspectiva de tendências e novas tecnologias para o futuro.

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Globalfert: Hoje nós recebemos o Roberto Suguihara, diretor Administrativo e Financeiro do Grupo Katayama, para uma conversa sobre o mercado de fertilizantes orgânicos.

Além do segmento alimentício, vocês atuam na parte de fertilizantes através da marca Terra Nascente. Quando vocês iniciaram nesse segmento, o que levou vocês a saírem do segmento alimentício e entrarem no segmento de fertilizantes?

Roberto: O grupo Katayama tem uma história longa de empreendedorismo e inovação que atua no agronegócio desde o seu princípio. Somos uma empresa que tem três segmentos, hoje nosso carro chefe é a avicultura de postura de ovos, nós possuímos cerca de 4 milhões de aves, o que nos proporciona a capacidade de produção de mais de 1 bilhão de ovos, 5 mil toneladas de ovos líquidos industrializados. Além disso, possuímos uma unidade de produção de ovos de codorna. Esse é o nosso carro chefe e onde o Grupo Katayama iniciou. Temos um negócio de pecuária também, pecuária de genética, esse ano faremos a 32º edição consecutiva do nosso leilão de animais de genética, fazemos esse leilão com cerca de 1.000 animais.

Mais recentemente estamos investindo na produção de fertilizantes orgânicos. O grupo investiu em valores relevantes nos últimos anos, na modernização de todo o parque industrial da empresa, hoje somos uma indústria com o sistema integrado na produção de ovos considerado um dos mais modernos da América Latina, temos aqui a produção de ração, recebemos os pintinhos com um dia de vida, depois transferimos para a parte de postura e classificamos os ovos.

Nossos aviários são todos climatizados e automatizados, e dentro desse processo de modernização, o grande desafio do segmento é como dar finalidade aos dejetos das aves, pois o dejeto em sistemas convencionais fica depositado no fundo do aviário por mais de um ano e isso é um grande problema em relação ao mal cheiro, emissão de gases de efeito estufa e a possibilidade de contaminações dos lençóis freáticos. Pensando em nisso, na solução desse problema, quando foi desenhado esse projeto para a produção da indústria, se projetou a coleta automática dos dejetos das aves que é levada para a unidade de produção de fertilizantes orgânicos. Nós pegamos o problema do negócio e transformamos em outro negócio dentro do grupo. Essa é a nossa história, e começamos nossa produção de fertilizantes orgânicos no segundo semestre de 2019, é bem recente ainda, mas já tem rendido muitos bons frutos para a gente.

Globalfert: Recentemente vocês obtiveram o Título Verde no investimento que vocês fizeram nessa planta de fertilizantes. Queria que você contasse para a gente no que consiste esse Título Verde e o que ele traz de benefícios tanto para a Terra Nascente quanto para a sociedade de forma geral.

Roberto: O Título Verde é concedido a operações financeiras que quando você obtém um financiamento e esse financiamento tem o destino considerado ambientalmente adequado. Ele foi concedido a Terra Nascente porque a produção de fertilizante orgânico a partir dos dejetos das aves tem uma redução de gases de efeito estufa, então a gente tem uma contribuição muito efetiva para o meio ambiente. Isso significa por exemplo uma redução de emissão de cerca de 60 milhões de toneladas evitadas de CO2 emitidos para a atmosfera, pois se os dejetos das aves ficarem exportas até secar, como no sistema convencional, esse processo é um processo de geração de gases de efeito estufa. Então a certificação vem nesse sentido, de nós termos a consciência de estar contribuindo e buscamos isso para provar, sendo avaliados por uma empresa que segue altos padrões internacionais que avalia o cuidado com as aves e todo o processo até chegar na terra nascente.

A importância desse título, para nós, reforça nossa política com a preocupação com o meio ambiente, pois o agronegócio brasileiro contribui muito com isso, tem uma participação importante, o agronegócio tem uma responsabilidade social, emprega muita gente, gera muita renda.

Isso é importante hoje, principalmente ao redor do mundo pois os investidores começam a diferenciar as empresas com base nisso, empresas que possuem esses cuidados conseguem ter linhas de financiamento incentivadas e investidores começam a dar preferência a empresas como a nossa.

No caso de fertilizantes e orgânicos acredito que no futuro, empresas que produzem alimentos orgânicos, cada vez mais exigirão do fornecedor as certificações que comprovem que aquela cadeia de fato tem a contribuição que o alimento orgânico se predispõe a contribuir, por isso fomos atras dessa certificação, para realmente, dentro do nosso processo de governança, ser algo documentado, algo certificado que pode gerar um novo negócio no futuro.

Globalfert: Quais os maiores desafios que vocês tem para atender essa demanda crescente no mercado de fertilizantes orgânicos e garantir que o produto atenda a necessidade do consumidor?

Roberto: Precisamos segregar em dois segmentos aqui, o primeiro segmento seria o de agricultura convencional como a produção de cana-de-açúcar, produção de soja milho e afins. O nosso grande desafio é conseguir chegar nos níveis de nutrientes NPK do fertilizante mineral, esse é o grande desafio e isso se reveste em investimento em qualidade, investimos cerca de 16 milhões nessa planta, totalmente concretada, coberta, utilizamos um revolvedor muito moderno para retirar a umidade dos dejetos, recentemente investimos em sistemas de peneiramento para que nosso produto chegue de alta qualidade para o cliente, e que o cliente compare em laboratório os níveis de NPK e os mesmos esteja próximo aos fertilizantes minerais.

Quando vamos para o produtor de alimento orgânicos, uma das principais questões que envolve é a rastreabilidade da matéria-prima, desse modo você consegue comprovar que o seu produto foi realmente feito a partir de uma matéria-prima natural e isso para gente é muito simples, pois utilizamos apenas os dejetos de nossas aves, não adquirimos dejetos de terceiros. Por isso estamos focando na obtenção de certificações para convencer, explicar e educar o produtor de alimentos orgânicos de todas as práticas corretas. Também temos um desafio logístico pois estamos situados em Guararapes e às vezes os custos logísticos podem deixar o produto muito caro.

Globalfert: Você acabou adiantando um pouco nossa próxima pergunta, a respeito nas tendências que você prevê para o produto. Você citou a rastreabilidade, a questão da certificação do produto, atender as necessidades nutricionais se comparando a um fertilizante convencional e a questão logística. Você teria algum outro ponto que você enxerga para o futuro que pode acontecer para o mercado de fertilizantes orgânicos e quais as oportunidades que você espera absorver para a Terra Nascente?

Uma oportunidade muito importante que enxergamos é transformar nosso fertilizante orgânico em organomineral, o que adiciona mais uma etapa no processo para que possamos atingir mais culturas no futuro e um grande desafio que estamos trabalhando é a venda de fertilizantes em embalagens menores, pois hoje só vendemos à granel e queremos alcançar produtores de menor porte que não tem a capacidade de comprar o produto a granel.

Quando olhamos para esse negócio, vemos um negócio muito promissor à frente, sendo uma tendência que acredito não haver volta, tanto para o produtor convencional, quando para usinas, que procuram substituir cada vez mais suas matérias-primas por insumos orgânicos para que realmente tenha um impacto final no produto, nós enxergamos isso como um excelente negócio, já passamos a curva de aprendizado e temos a perspectiva de avançar em outras questões como a embalagem diferente, produzir organomineral, construir novas plantas e seguir com esse modelo.

Quero agradecer a você a oportunidade por essa entrevista, não é sempre que conseguimos nos comunicar e contar um pouco sobre nosso dia a dia, mas esse é um tipo de empreendimento que tem tudo para dar certo e seguir essa tendência futura trabalhando nessa linha de orgânico, essa linha mais natural que é uma tendência que veio para ficar, não é um modismo e, trabalhar nessa questão de meio ambiente é muito necessária.