Entrevistas

O gerente de negócios da linha de adubação da Jacto, Gustavo Micheli, fala sobre a utilização de tecnologia na agricultura

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Gustavo Micheli, trabalha na Jacto como gerente de negócios, sendo responsável pelo marketing de produto e projeto de engenharia de espalhadores de fertilizantes autopropelidos e arrastados na Jacto. Formado em engenharia mecânica pela Unesp, o convidado trás informações valiosas sobre a agricultura 4,0 e como a tecnologia tem influenciado na aplicação de insumos.

1 – A agricultura 4.0 é um assunto recente e que tem chamado a atenção dos produtores. Como vocês veem esta nova integração entre máquinas e aplicadores às tecnologias digitais?

O avanço da agricultura de precisão e das tecnologias embarcadas nas máquinas agrícolas tem garantindo mais eficiência operacional, e isso contribui para uma adubação também de precisão. Por isso, é fundamental que o agricultor acompanhe essa evolução e alcance os melhores resultados na safra.

A Jacto tem em mente no desenvolvimento dos produtos para adubação o desafio de manter a uniformidade na aplicação e evitar o desperdício para reduzir os custos da operação. Esses custos envolvidos vão desde o tempo gasto com a calibração do equipamento como o consumo de fertilizantes com sobreposições indesejadas nas aplicações.

Nas máquinas disponíveis no mercado, é preciso desmontar as pás dos discos para aumentar ou diminuir a faixa de aplicação, e realizar várias tentativas até atingir uma configuração viável de calibração. A solução de controle da faixa de aplicação da Jacto permite realizar uma calibração simples e ágil, ajustando apenas o ponto de queda dos fertilizantes sobre os discos.

Para ajudar o operador a encontrar o ponto de queda ideal para o produto e faixa que se quer aplicar, disponibilizamos também uma ferramenta chamada SmartSet. É uma plataforma online que ajuda a encontrar a regulagem da faixa de aplicação de modo mais ágil, com base na caracterização do produto. Basta acessar o site e inserir os dados do fertilizante.

O controle automático de 12 seções da Jacto revoluciona, com um sistema que torna essa regulagem automática.

Uma vez que não há a necessidade de desmontar nada para fazer a regulagem, tudo acontece de modo automático. Por esse motivo, é possível fazer cortes de seções por meio de um computador de bordo, que utiliza as informações do GPS da máquina e altera o ponto de queda e as alturas das comportas dosadoras, conforme a necessidade de aplicação. Com isso, o operador ganha em tempo e em eficiência operacional.

O controle automático de seções divide a faixa de aplicação em 12 partes para reduzir a sobreposição. O que a ferramenta faz baseia-se em física simples de entender: toda vez que queremos aumentar ou diminuir a faixa de aplicação, mudamos a posição de queda de produto sobre o disco, atingindo mais ou menos seções.

Com essa solução, o produtor consegue economizar fertilizantes por não passar duas vezes onde já jogou produto no campo. Assim, o operador faz a bordadura e depois completa a aplicação dentro daquela área, sem sobrepor áreas já tratadas.

O controlador automático de seções da Jacto gera mais produtividade e economia no uso de fertilizantes. Enquanto o controle automático bico a bico em pulverização já é algo recorrente no mercado, essa solução em adubação é uma inovação da Jacto.

Os resultados são percebidos já na primeira aplicação, pois fica evidente a redução de produtos aplicados. Comparando o histórico de gastos, é possível entender facilmente o ganho financeiro efetivo.

Essa economia chega a 15% de fertilizantes. Ao mesmo tempo, isso também reduz o impacto ambiental.

O controle automático de 12 seções é uma solução embarcada na Uniport 5030 NPK (automotriz) e na Tellus 10.000 NPK (tracionada), sendo específico para fertilizantes granulados. Foi lançado em 2019 e demandou aproximadamente 5 anos de pesquisas e testes para alcançar esse elevado grau de eficiência. As máquinas contam com um reservatório de até 5.000 kg para grânulos e conseguem atender a uma faixa de até 50 metros. No caso da Tellus, é possível abastecer o reservatório com até 10.000 kg de produtos em pó, e nesse caso, são utilizados outros discos.

2 – Este ano a expectativa é que a demanda de fertilizantes para atender ao plantio de grãos deverá ser maior. Com relação aos aplicadores vocês tem observado esta tendência também? Quais foram as culturas que mais movimentaram este segmento até agora em 2020?

O aumento da demanda por fertilizantes possui um impacto relativo na demanda de novas máquinas adubadoras nas propriedades, pois parte desses fertilizantes são aplicados diretamente no plantio. A maior demanda, nesse caso, é por tecnologias que tragam maior rendimento e consequentemente auxilie o produtor rural a aumentar sua produtividade. E isso tem nos colocado em destaque no mercado, conseguindo aumentar nossa participação a cada ano com melhores soluções para os agricultores.

As demandas por produtos alimentícios continuam altas em 2020, principalmente as culturas de grãos, como soja e milho, com aumento de consumo entre rações para a produção de carnes e etanol de milho. Já a produção de algodão reduziu mais, devido ao impacto direto da pandemia no setor de produção têxtil.

 

3 – Em 2020, você sente que a procura ou até mesmo as vendas foram afetadas de alguma forma pela pandemia? Que outros fatores influenciaram neste segmento este ano?

O ano de maneira geral trouxe muitas incertezas e o mercado sente isso. Escutamos muito ao longo do ano a expressão que o “Agro não para” e essa é realmente uma realidade: o setor continuou atuando, evidente que com os cuidados necessários que a situação exigiu, e os produtores continuaram investindo com esse foco de ser cada vez mais produtivos. E as máquinas e tecnologias precisam acompanhar essa demanda do produtor rural, garantindo a redução de custos, uma vez que, a conjuntura atual acarreta maior volatilidade das cotações das principais commodities, como os grãos, e nos preços dos fertilizantes em virtude do custo “dolarizado” dos adubos no mercado interno.

 

4 – Pensando em inovação, quais as novidades e tecnologias podemos esperar no mercado de máquinas agrícolas e aplicadores para 2021?

O foco com certeza é permitir uma redução de custos com o auxílio das tecnologias. O objetivo é que esses equipamentos tragam mais facilidade e segurança para o agricultor aumentar sua rentabilidade de forma sustentável. E nesse cenário, como ressaltamos acima, tecnologias que fazem uso da conectividade para a melhor gestão ganham destaque no sentido de fazer uma aplicação mais eficiente.

Você pode ver as imagens da adubadora no seguinte link: : https://www.jacto.com.br/brasil/press/media