Entrevistas

Diretor de Operações da FreteBras, Bruno Hacad, comenta sobre o setor logístico em 2020 e o que esperar para o transporte de fertilizantes em 2021

Na entrevista de hoje, conversamos com o diretor de operações da FreteBras, Bruno Hacad sobre o setor logístico, com uma retrospectiva de 2020, os impactos da pandemia no mercado de fretes e as tendências para este ano no transporte do segmento agro.

Globalfert: Hoje nós recebemos para uma conversa o Bruno Hacad, diretor de operações do FreteBras. Gostaria de pedir para você contar para quem nos assiste o que é o FreteBras e como vocês atuam.

Bruno Hacad: Olá, muito obrigado pelo convite. Contando um pouco da FreteBras, o que nós fazemos e como funcionamos: temos um histórico de longa data, nós começamos em 2008 na cidade de Catalão, interior de Goiás e hoje somos a maior plataforma online de transporte de cargas da América do Sul. E o que isso significa? Utilizamos a tecnologia para conectar transportadoras e empresas embarcadoras com caminhoneiros, permitindo que as transportadoras e empresas encontrem os caminhoneiros de forma fácil e rápida. O processo acontece de forma muito rápida. desde a postagem da carga pela empresa até a seleção dos caminhoneiros para fazer os fretes. Do outro lado o motorista consegue contar com a nossa solução para visualizar os fretes que são publicados e escolher o melhor, mais próximo de onde ele está ou na rota que ele quer fazer. Hoje nós temos uma base de 480 mil caminhoneiros cadastrados e validados e 12 mil empresas assinantes, que pagam uma assinatura mensal para publicar os fretes que elas possuem. A plataforma faz esse encontro, reduzindo o custo operacional e aumenta a rentabilidade tanto para as empresas como para os motoristas.

Globalfert: Por vocês possuírem essa rede tanto do lado das empresas que oferecem esse serviço, quanto do lado que adquire o frete, vocês conseguem ter uma visão da logística como um todo e como ela está se comportando no Brasil, sendo que a logística rodoviária é a mais importante para o nosso país. Basicamente tudo é transportado por meio das rodovias.

Bruno Hacad: Com certeza! Em 2020 nós tivemos aproximadamente 6 milhões de fretes publicados na plataforma. Com isso nós conseguimos ter muita representatividade dos movimentos, tendências, produtos e regiões onde estão sendo negociados fretes na plataforma.

Globalfert: O ano de 2020 foi um ano bastante difícil para diversos segmentos. Como você enxergaram isso dentro do segmento de logística? Como vocês foram afetados pela pandemia?

Bruno Hacad: De forma geral, nós fomos menos afetados do que esperávamos. No fim de março estávamos com uma expectativa bem ruim, abril foi um mês bastante desafiador. Tivemos uma queda considerável nos fretes publicados. Depois de abril, houve uma retomada forte e em setembro tivemos um recorde de fretes publicados na plataforma em toda a nossa história. Foi bastante impressionante acompanhar a evolução de uma queda muito grande em um período e a retomada de maio em diante. Nós sofremos assim como todos os outros setores. Em uma pesquisa que realizamos com nossa base de motoristas, um em cada cinco motoristas parceiros do FreteBras foram infectados pelo coronavírus. Obviamente é um setor muito importante, portanto não pode parar. Então, conseguimos ver que a dependência que o país tem do transporte rodoviário contribuiu para que ele não fosse mais afetado que os demais setores.

Globalfert: No relatório divulgado pelo FreteBras, no terceiro trimestre houve um aumento de 80% nos transportes do segmento agro. Acredito que os fertilizantes se encaixam dentro desta categoria. Vocês enxergam esse aumento para o segmento de fertilizantes também?

Bruno Hacad: Considerando o agro como um todo, houve um aumento de 71% nos transportes em 2020 em relação a 2019. No terceiro trimestre, que já é um trimestre de alta sazonalidade por conta da safra, foi o que apresentou o maior crescimento. O segmento de fertilizantes superou o agro como um todo, com crescimento de 80% em 2020 em relação a 2019 na plataforma. Isso demonstra a importância do segmento, que é um insumo básico para o plantio. Eu acredito que esse aumento bastante representativo dos transportes de fertilizantes reflete a safra que tivemos em 2020 e com expectativa de ser ainda maior para 2021. Como os transportes de fertilizantes precisam acontecer antes do plantio, entendemos que esse grande movimento se traduz em função disso.

Globalfert: Você antecipou a pergunta sobre a expectativa para 2021. Nós enxergamos o cenário da mesma maneira. Esperamos a supersafra de soja neste ano, com uma grande produção agrícola acontecendo em 2021, então esperamos que tanto o transporte como o uso dos fertilizantes seja maior.

Bruno Hacad: Mais que 80% dos fertilizantes que consumimos são importados, hoje a importação ainda tem um peso muito grande nos insumos, e conseguimos ver isso muito claramente quando verificamos o relatório anual e observamos a questão dos portos e como os mesmos se comportam em relação a isso. Os portos de Paranaguá e Rio Grande que são os portos que apresentam o maior crescimento no volume de fretes, pensando em importação, ou seja, fretes que tem como origem essas regiões, observa-se que seu crescimento foi basicamente por conta dos fertilizantes, que chegando nos portos de Paranaguá e Rio Grande são distribuídos Brasil a fora, principalmente no Sudeste e Centro-oeste, regiões fortes na produção agrícola. Nós conseguimos ver este crescimento não apenas no aumento dos fretes em si, mas também em termos de origem, sendo bem claro o fluxo de importação e seu comportamento.

Globalfert: Os portos de Paranaguá e Rio Grande, são onde se localizam grandes misturadoras de fertilizantes, que distribuem para o Brasil inteiro. Mudando um pouco o assunto, falando sobre a questão logística. O que você enxerga que seria o principal gargalo, nos dias de hoje, para a logística no Brasil?

Bruno Hacad: Obviamente existem vários, e é interessante que vem sendo cada vez mais discutido, entrando cada vez mais em pauta e o próprio risco que nós tivemos recentemente de greve, traz um pouco disso também. Acredito que de forma geral, eu diria que o principal gargalo é a questão da infraestrutura, contemplando as estradas, como as condições, segurança e pontos de paradas. Caminhoneiros de forma geral tem grandes dificuldades, e condições ruins de local para dormir, higiene e alimentação, nos precisamos mudar como país e se preocupar em prover melhores condições para os motoristas, o que melhoraria a situação geral logística do Brasil. A população de caminhoneiros tem ficado cada vez mais velha, as novas gerações não têm interesse em trabalhar nesse setor, e os próprios motoristas não querem que os filhos sigam a profissão, isso seria um problema muito grande no futuro. O próprio ministro de infraestrutura falou sobre as novas concessões, que possuem exigências para pontos de parada melhores, mas sabemos que ainda há muito caminho a ser percorrido e isso contribui muito para o “Custo Brasil” como já conhecemos.

Globalfert: Gostaríamos de saber se você possui alguma mensagem final ou algum ponto que gostaria de compartilhar conosco?

Bruno Hacad: Bom eu gostaria de agradecer o convite para participar, e acho muito legal o trabalho que o Globalfert têm feito, e acredito que o ponto principal seria ressaltar a importância da nosso papel promovendo o desenvolvimento e digitalização do setor, nós como plataforma, hoje como a maior plataforma de fretes do brasil, vemos quase como um evangelizador do maior uso de tecnologia no setor, e como isso contribui de fato para a redução de custo. Vimos resultados muito legais de cases importantes de clientes, que utilizam a plataforma e obtiveram sucesso na redução do custo de fretes e controle viário.

Globalfert: Agradecemos muito o tempo que você separou para conversar com a gente, foi muito interessante entender a abrangência da FreteBras e o quanto o trabalho de vocês é importante e relevante nesse segmento. Agradecemos a vocês que acompanharam essa entrevista até o final, não se esqueçam de se inscrever na nossa Newsletter e receber todas as informações sobre mercado brasileiro de fertilizantes. Muito obrigada e até a próxima!